Estados Unidos atualizam recomendações sobre obesidade para crianças e adolescentes


Editorial do Journal of the American Medical Association (JAMA), publicado este mês, apresenta a conclusão de um grupo de especialistas em cuidados preventivos, sugerindo que o rastreamento da obesidade deva ser realizado em todas as crianças a partir dos 6 anos de idade.

Segundo a publicação, a maioria destas crianças não tem acesso a programas de exercícios, nutrição e aconselhamento. O objetivo é claro: ampliar as estratégias para o enfrentamento da obesidade infantil, visto que quase um terço desta população apresenta, atualmente, sobrepeso ou obesidade.

São recomendadas intervenções comportamentais abrangentes e intensivas, incluindo atividades como aconselhamento para as crianças e suas famílias quanto à nutrição, atividade física e técnicas para auxiliar na mudança comportamental por meio de automonitoramento, definição de metas e resolução de problemas.

Para esta nova recomendação, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (US Preventive Services Task Force - USPSTF) avaliou os resultados de 42 ensaios com intervenções comportamentais envolvendo quase sete mil crianças.

Assim como na recomendação anterior, de 2010, a orientação é fazer o rastreamento para idade e sexo, assim como implantar programas de tratamento da obesidade com pelo menos 26 horas de duração. Este tempo foi calculado com base na quantidade e duração das sessões de intervenção.

Vale destacar, no entanto, que maior sucesso foi alcançado em programas com pelo menos 52 horas de duração. Estes programas tiveram evidências claras de melhorias no peso e em alguns fatores de risco cardiometabólicos após 6 ou 12 meses de seguimento, o que provavelmente resultará em benefícios naprevenção do diabetes e de doenças metabólicas na idade adulta.

Diversos estados americanos já implementaram o rastreio de peso nas escolas. Alguns pais relataram ceticismo e preocupação, especialmente em relação ao possível estigma ou consequências negativas do rastreio, como a indução de transtornos alimentares. Outros, apontaram experiências mais positivas. Mais pesquisas são necessárias em ambientes clínicos e escolares para determinar se há a possibilidade de dano resultante destas triagens.

Acesso ao tratamento da obesidade

A renovação dessas recomendações oferece uma oportunidade para refletir sobre o que é necessário para superar a obesidade infantil nos Estados Unidos. A maioria das crianças com obesidade não tem acesso a tratamentos comportamentais intensivos, conforme recomendação da USPSTF.

A não cobertura por seguro saúde ou cobertura inadequada é uma grande barreira. Mas mesmo na ausência de barreiras financeiras, os programas de tratamento da obesidade não estão disponíveis na maioria das regiões dos Estados Unidos. Pesquisa realizada em hospitais infantis revelou que somente cerca de 60% dispõem de programas nos moldes recomendados pelo USPSTF, e um a cada quatro destes hospitais oferece programas com duração de até um ano, o que seria necessário para atingir as 52 ou mais horas de contato sugeridas. Os programas de tratamento tendem a se concentrar em áreas urbanas, limitando severamente o acesso.

Para melhorar o acesso, programas de saúde à distância e aprimoramento da formação multidisciplinar dos profissionais de saúde são fundamentais. Esses fatores são particularmente importantes considerando a evidência de que programas de tratamento mais longos são mais bem-sucedidos. A implementação de programas de tratamento clínico ou hospitalar com duração de 52 horas ou mais pode ser impraticável tanto para os profissionais de saúde como para as famílias.

Fonte: Abeso


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